Deixa ver
Então eu acho (e continuo achando) que certo aspecto da minha vida merece ficar como está. É melhor ficar como está. Não é uma questão de conformação ou desistência (até porque só se desiste de algo que vinha sendo feito, o que não é meu caso). Apenas sinto que o ''prazo de validade" para ele passou - pelo menos por agora. Mas que ideia absurda! A vida não tem "prazo de validade" determinado e específico, bem como tudo aquilo que pode ou não ser encontrado também não tem. E, realmente, eu nunca estabeleci um "prazo'', uma data, dia e hora específicos para dizer "parei". Apenas penso que é melhor deixar assim, antes que venha um emaranhado de coisas difíceis que certamente precisariam ser feitas por mim. Eu sei que parece ser uma ideia absurda, mas faz sentido para mim. Talvez estivesse disposta a isso até certo momento, quando percebia que poderia haver alguma diferença importante. Só que depois percebi que não havia a menor razão para esta disposição. Acabou ficando sem sentido, porque eu estava disposta a simplesmente nada. Nada e nada. E depois de perceber que, realmente, do jeito que está é o mais adequado (ao menos na minha visão um pouco mais racional) aí sim perdi a disposição para esse nada. Eu sou tão estranha que consigo me dispor ao nada, ao além. Mas, se brincar, eu nunca nem tive isso. E aqui lembro de uma amiga que sempre me diz o quanto sou pessimista para algumas coisas e diz também que tenho o poder (como ninguém) de me colocar para baixo ou de me colocar como invisível para algumas coisas. E não é não? Eu concordo com ela, sempre acho engraçado porque tenho muito disso mesmo. Ocorre que não consigo perceber de outra maneira a minha realidade e, como sempre digo, sou apenas realista. E talvez nem seja uma questão de se colocar como invisível, talvez seja apenas a consciência de que preciso me retirar, de que é melhor deixar como está e ir embora. E pode ser que a visibilidade necessária não tenha sido alcançada. Não tem como escapar disso. Aí você pode pensar que eu me retiro cedo demais, sem nem esperar pra ver o que acontece. É, concordo, eu não costumo esperar muito para ver o que acontece e, normalmente, se algo aconteceu, meu instinto é muito mais de fuga do que de permanência. Parece até que vivo para me defender, mesmo quando não há ninguém querendo me atacar. É estranho. E, se tudo estiver indo bem, eu não consigo acreditar que está indo bem. Tem algo errado, com certeza. Algo vai acontecer, porque não é normal ficar tudo certo. Sempre espero o momento de encerrar tudo e de me retirar. E isso se deu nas inúmeras vezes que me vi pensando "poxa vida, eu preciso me retirar por alguma razão que eu não queria que existisse". E de retirada em retirada, a gente acaba sem querer chegar de novo ou sem querer que chegue. É todo um processo, toda uma construção de realidade e de consciência que me faz pensar apenas: é melhor deixar do jeito que está. Independente do que isso represente. Pode ser que eu precise amadurecer um pouco mais, não enquanto experiência de vida, porque já venho tendo muitas, mas enquanto pessoa, enquanto ser humano que pode ser visualizado dentro de uma sociedade. Mesmo. Por ora, somado a todos os outros fatores já comentados (consciência e "prazo de validade") só consigo imaginar que o certo, o certo mesmo é ficar aqui, como estou. Do jeito que está já é algum jeito. E pode ser o mais adequado, até que surja o momento de dizer que não é mais. Por ora, deixa eu assim. Está tudo bem, certo? A gente sempre pode fazer escolhas diferentes quando achá-las mais corretas pra nossa própria vida.
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