Tim Maia traduziria em poucas palavras. Nunca mais fomos os mesmos. Faz tempo que não somos os mesmos. Mas, quem poderia dizer que ia ser assim? Quem imaginaria? Nem eu, nem você. Nem ninguém.
Outra vez, éramos tão ligados, cúmplices e parceiros. Agora, você está tão perto de mim e, ao mesmo tempo, muitíssimo longe. Mais distante do que aqueles que realmente estão longe. E de distância eu entendo bem.
Pra que mundo você foi? Por que não mais compartilhamos o mesmo mundo? Havia vaga pra nós nele e para quem mais quisesse. Sem preocupações, nem apertos. Aliás, deixávamos até mais bonito o lugar. Não precisamos excluir ninguém para a chegada de outrem.
Se existisse outro planeta, diria que você foi para ele sem me avisar. Quer dizer, até avisou de um jeito estranho. Deu o sinal de que foi embora e que não mais convive no mesmo mundo de antes. Afastada, olho pra você e me pergunto até hoje o que há de errado, o que há de tão grave que nos separa a esse ponto de sermos estranhos um ao outro e penso qual seria a medida da nossa mais nova distância. Ou então eu que fui para um outro planeta. Afinal, reconheço que ando diferente do normal, mas tanto faz. Não habitamos mais o mesmo lugar. Esse é o fato.
Convivemos com outras pessoas e talvez elas nos ocupem demais para lembrarmos um do outro, não é? Pode até ser, mas eu continuo lembrando. Pensando. E esse pode ser o meu grande defeito: pensar quando ninguém pensa. Lembrar quando ninguém lembra. Pensar e lembrar quando deveria esquecer.
O problema é que eu guardo as pessoas que me são especiais de algum modo, sabia? Por mais lágrimas que elas me façam derramar, por mais coisas ruins que elas me possam fazer, se eu cultivar o mínimo de afeto por elas algum dia na vida, eu guardo. Guardo o lado bom, guardo o lado que me fez crescer, que me ensinou e até me fez feliz de algum jeito. Por essa razão é que possuo uma infinidade de pessoas que até tenham me decepcionado ou me entristecido de alguma maneira, mas por terem sido especiais, nunca consegui esquecê-las. Nem mesmo quando a razão diz: "Esqueça já!". Não consigo. Droga!!
E mais ainda: continuo sentindo falta. Falta de algumas dessas pessoas, talvez até de todas, mas principalmente tua falta. De quem você era antes. De quem eu era antes. De quem éramos quando estávamos juntos. Sinto falta. De você, de mim, de tantos.
Quem somos nós agora, senão estranhos? Humanos que convivem e vivem no mesmo lugar, mas é só. De uma história que parece ter sido esquecida. Uma caminhada que parece não ter tido muito valor a ponto de obstáculos e dificuldades de convivência derrubarem toda a construção que, com cuidado e zelo, fomos construindo.
De longe, eu apenas observo um coração que aparentemente está intacto quanto a nós. E me questiono se é possível sentir as coisas de forma unilateral. Até me chamariam de boba por isso. Por me importar com as coisas sozinha, mas não posso exigir reciprocidade se os sentimentos são personalíssimos e as pessoas sentem o que querem e o que podem sentir. É uma variável que não dá para prever.
Que bom para você se seu coração estiver intacto, porque é dolorido mesmo ter um coração sangrando, sentindo algo que nem ele mesmo consegue entender ou encontrar solução ou mesmo apagar. E o meu está assim.
Por favor, não pense que esse sangrar foi por sua culpa exclusiva. Talvez, analisando meu histórico, o problema tenha sido eu mesma esse tempo todo. E somente agora eu venho perceber que, de fato, há algo errado comigo. E por isso é que nunca busquei culpar ninguém pelos meus atos, mesmo sabendo que eles podem não ter sido tão errados assim. Eu reconheço quando passo do limite (ainda que saiba disso internamente - minha consciência logo acusa), quando faço o que não deveria fazer. Reconheço e luto bastante para me perdoar.
Se fizéssemos isso sempre, poderíamos ser mais felizes. Juntos ou separados. De preferência, juntos.
Eu gostava de você. Mesmo. De verdade. Diria até o verbo no presente. Eu gosto. Nunca deixei de gostar, por mais problemas que tivéssemos. Você conseguia ver isso nos meus olhos antes. Será que consegue ainda? Enxergar que, apesar de tudo, as coisas boas são as que prevalecem? Independentemente do que fiz ou fizemos, disse ou não disse. O que é bom há sempre de prevalecer e, se não prevalece, então não foi bom.
Sempre achei que as coisas levam uma essência por trás. Um sentido invisível que realmente ultrapassa circunstâncias ou palavras. É a essência que importa. Eu sei. Mas, será que ela existe? Ainda existe? Não pra mim, mas para você? E para nós? Falo nós porque sempre fomos um só quando estivemos juntos. Sempre achei que quando duas pessoas se adoram, elas formam uma só. No entanto, acho que passamos do tempo de sermos um só. Acho que "nos quebramos" e passamos a ser individuais. Normais como os outros. Deixamos a especialidade para passarmos ao comum, corriqueiro, mais um.
Sempre soube que, de algum modo, nossas energias sempre nos atraía e nos levaria a lugares bons. Talvez agora nem tenhamos mais energias e, se tivermos, elas não possam mais nos levar a lugares bons.
Só sei que mudança forçada e imposta por situações não é natural. Não é normal. E de forma brusca é ainda mais impossível de se compreender. Mas, é como diz Clarice Lispector: viver ultrapassa qualquer entendimento. Então, fico sem entender mesmo. E talvez aí eu esteja vivendo.
As coisas mudaram. Como mudaram!! "E eu gostava tanto de você", digo através de Tim Maia. Talvez, de tantas coisas que mudaram, isso ainda não tenha mudado por completo. Por mais impasses e motivos que eu tenha para dizer exatamente o contrário, ainda não consigo mentir para mim mesma e fingir que não me importo mais.
Em períodos, realmente não me importei, mas ao te encontrar e ver como tudo ficou tão diferente é impossível não me perguntar o motivo, não questionar o problema, não pensar no mundo que dividimos e, depois de tudo, ter de mentalizar que foi um tempo passado e que agora não é mais assim. Da água para o vinho, tudo se transformou. É impossível não me importar quando te encontro, porque te ver é reviver tudo que fomos um dia e até mesmo o que poderíamos ser. Ver você é reviver o que não mais existe e, de novo, sentir a tristeza que transparece nos olhos, ainda que não consiga perceber. De fato, até isso se modificou, penso eu. A capacidade de entender o que lhe dizia pelos olhos, porque nem sequer olha para eles. Como entendê-los sem vê-los?
Ainda assim, há quem entenda. Há quem olhe para meus olhos e perceba sem que eu precise dizer metade dessas palavras. Há quem entenda, porque quando existem partidas, vêm as chegadas. Para toda perda, há um ganho. Lei da vida. Acho que você também percebeu isso. E os meus ganhos foram geniais. Não sei dos seus, espero que tenham sido bons também. Reforcei laços que estavam folgados, mas que nunca desataram como nós desatamos. Descobri sorrisos tão cúmplices quanto o nosso. Ouvi palavras tão boas quanto as trocadas por nós. E isso é um ótimo sinal de RECOMEÇO. De olhar para a vida e dizer: se não existe nada aqui, pode existir ali, então é para lá que eu vou.
Ainda assim, há quem entenda. Há quem olhe para meus olhos e perceba sem que eu precise dizer metade dessas palavras. Há quem entenda, porque quando existem partidas, vêm as chegadas. Para toda perda, há um ganho. Lei da vida. Acho que você também percebeu isso. E os meus ganhos foram geniais. Não sei dos seus, espero que tenham sido bons também. Reforcei laços que estavam folgados, mas que nunca desataram como nós desatamos. Descobri sorrisos tão cúmplices quanto o nosso. Ouvi palavras tão boas quanto as trocadas por nós. E isso é um ótimo sinal de RECOMEÇO. De olhar para a vida e dizer: se não existe nada aqui, pode existir ali, então é para lá que eu vou.
Insisto em dizer para mim mesma que nossa história foi mais uma mudança natural da vida e que deve ser assim mesmo, mas tenho certeza de que não foi natural. Nunca será. O natural da vida é dar certo, é caminhar rumo a um lugar comum sem se perder, sem se soltar, porque é isso que acontece quando as pessoas começam a caminhar juntas. Elas chegam no mesmo lugar, de mãos dadas e não sentem vontade de mudar o caminho, mesmo que durante a jornada haja turbulências. Sabem que, apesar de tudo, o fato de ter alguém ali é o fato que muda tudo. Mas, nós mudamos justamente o percurso, não é? Eu sinto. Eu sei.
É uma pena que tenhamos de seguir caminhos diferentes quando fomos tão longe no mesmo rumo, mas eu sei que não te esquecerei, porque da mesma forma que os demais, você foi especial e por isso te guardo, sempre guardo, mesmo que não esteja mais guardada em você.
É uma pena que tenhamos de seguir caminhos diferentes quando fomos tão longe no mesmo rumo, mas eu sei que não te esquecerei, porque da mesma forma que os demais, você foi especial e por isso te guardo, sempre guardo, mesmo que não esteja mais guardada em você.
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