Eu não sei o que você esconde ou o que tem. Na verdade, mal sei quem é você. O que faz da vida, quem são seus amigos, seus pais ou qualquer outra pessoa que faça ou fez parte da sua vida. Nada disso eu sei.
No entanto, desde a primeira vez que te vi, naquele momento absolutamente inesperado, no qual eu mal te enxerguei por estar escuro, algo me disse que você era diferente de todos os outros garotos que já conheci.
Não consegui te ver com clareza, mas ainda assim foi um instante que não deu para esquecer, pelo simples fato de que era você. E eu. Éramos dois em meio a tantos.
As próximas vezes que nos cruzamos foram mais reveladoras, por certo. Consegui ver, efetivamente, a beleza dos seus olhos. A cor do seu cabelo. O seu tamanho. O aspecto que, por enquanto, é visível a qualquer pessoa e, portanto, irrelevante. Mas o que eu mais gostaria de ver, sinceramente, ainda não vi. Será que vou ver?
Pude, certa feita, desvendar um pouquinho de você, mas novamente não consegui perceber o tanto que gostaria. Ainda assim, esse pouquinho que descobri foi o suficiente para ter a certeza de que você, de fato, é diferente de todos os garotos que conheci.
De uma maturidade que, embora não seja notória, existe e é inegável. Maturidade que tende a crescer e se aperfeiçoar. Isso, por si só, basta para que eu te considere como um garoto que me desperta a atenção e o olhar.
A gente vive quase nas mesmas circunstâncias fáticas. Ambos sabemos e estamos descobrindo o que realmente é a vida. Por estarmos longe de casa, por não conhecermos os lugares que existem nessa cidade. Por sermos "moradores-turistas".
Fico pensando em como poderíamos ser felizes se fizéssemos todas essas descobertas juntos. Seria incrível. Duas mentes desbravando um mundo novo: indo ao shopping, saboreando um restaurante recém-aberto na cidade ou qualquer outra coisa.
Isso seria muito mais fascinante com você do que com qualquer outra pessoa. Pelo simples fato de que ambos teríamos o prazer de descobrir e não apenas de receber a informação pronta de alguém que já conhece, entende? Você, realmente, é diferente de todos que conheci.
Só preciso de mais uma coisa para confirmar a sua diferença, mas não sei se conseguirei chegar nesse patamar. Eu gostaria de ver mais do que já vi, sentir mais do que já senti e isso se revelaria com muita clareza se eu pudesse ver o seu coração.
O que você carrega dentro dele? Outra pessoa? Alguém que já o habitou e ainda não saiu? Alguém que você quer que habite, mas ainda não apareceu? Alguém que está habitando? O que você guarda dentro dele? Será que você me guardaria? Quer me guardar?
Não sei responder a nenhuma dessas perguntas. Que droga é não saber quem é você, mesmo querendo saber! Que dúvida é não saber o que você traz consigo! E o que eu posso fazer?
Você é diferente de todos que conheci. E eu gosto do que é diferente. Nas poucas vezes que você me olha, o azul dos seus olhos é tão azul, é tão lindo que eu me perco ao vê-los. Não posso te olhar, portanto. Olhar é me perder dentro de toda essa curiosidade que tenho a seu respeito. E não sei se isso transparece, mas se transparecer... o que eu posso fazer?
Eu queria mais. Muito mais. Bem mais. Aquelas vezes e as poucas vezes em que me deparo com você não são suficientes para revelar o tanto que você é, nem o que eu sou. Deve ser por isso que nossos encontros são carregados de vontade. De curiosidade. De uma sensação que, certamente, não tive com ninguém.
Eu queria fazer mais por você, pra você e, principalmente, COM você. Não sei até onde posso ir, não sei até onde você quer chegar, se é que está indo para algum lugar.
Sabe, eu não consigo ser tão expressiva, ser menos tímida e mais extrovertida como deveria ser. E, por isso, sempre fico sem saber como agir. Eu apenas sei que você é diferente dos outros e queria essa diferença pra mim. E também queria ser diferente pra você, pra que me deixasse ser tão boa quanto a sua simples existência já é.
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